Apesar de amar as datas comerciais, dar e receber presentes, mimos extras e etc, odeio todo o processo por qual temos que nos submeter para se chegar na hora H. Talvez esse sentimento venha de um conceito preguiçoso que adotei em praticamente todos os segmentos da minha vida: nunca faça hoje o que você pode deixar para fazer amanhã. Assim, ao invés de comprar o presente de Dia dos Namorados no feriado, ou até mesmo na semana passada, fui ontem!
Aquela coisa toda: shopping lotado, vaga para estacionar só lá na casa do caralho, pessoas se trombando com sacolas imensas, vendedores querendo te empurrar coisas xis, gente mal-humorada, escadas rolantes congestionadas... enfim, um inferno! Tirando o fato de ter gastado um dinheiro que não tinha (o que o amor não faz, não!?), até que fiz minha parte direitinho. Comprei tudo o que precisava, esbocei durante todo o tempo um leve sorriso no rosto e ainda estava cheia de piadas prontas para vendedores fanfarrões.
Aí, fui em uma dessas lojinhas que vendem caixas bacanas, sacos de presente e laços bonitos para botar uma beca nos produtos adquiridos. Eis que estou lá, na fila (sim, tinha a fila do papel e da caixinha!), quando entra um cara bem atrás de mim, com uma sacola enorme nas mãos. Como eu fui de papel e ele de caixinha, passamos praticamente juntos no balcão e aí ouvi (e vi) toda a história. A pessoa, muito pimposa e orgulhosa de si, me tira um cobertor de dentro da sacola, daqueles embalados com um lance de plástico transparente, bate no peito e diz: “Quero uma caixa bem legal pro presente da minha namorada!”.
Porra, um cobertor!?!? E ainda era um desses bem comuns, marrom, meio xadrez, tipo o meu velho de guerra. Que mente insana acha que vai agradar dando um cobertor para a namorada? Eu, que acabei de reformar meu quarto e comprar móveis novos, iria fazer o fulano comer aquilo, pelo por pelo. Como se não bastasse, o tigrão recusou a caixa inteira vermelha que a moça da loja ofereceu e escolheu uma exageradamente colorida, apropriada para usar na Parada Gay, de repente.
A cara de reprovação dentro do lugar foi geral. Os homens olharam de rabo de olho, meio que estranhando a situação, enquanto algumas mulheres, incluindo eu e a vendedora que me atendia, balançavam a cabeça com força, em negativa ao presente infeliz.
Tô com dó da mina do cara. Sério. Ninguém merece! Pior que agora não está nem fazendo frio...